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Bem-Viver leva centenas a Simpósio

Encontro e debate sobre saúde reuniu profissionais renomados e grande público na última terça-feira, 13 de dezembro, no

Voltado para saúde, especialmente para como viver bem e aproveitar melhor a vida, a Secretaria de Saúde de Braço do Norte realizou o Simpósio de Saúde intitulado “Bem Viver”, na última terça-feira, 13 de dezembro, no Clube Cruzeiro. Cerca de 400 pessoas de várias idades, credos e sexo se reuniram para escutar e questionar quatro especialistas trazidos pela Secretaria de  Saúde, com o apoio da Folha.

POPULAÇÃO prestigiou Simpósio promovido pela Secretaria da Saúde, na última terça-feira, 13 de dezembro, no Clube Cruzeiro em Braço do Norte

Preocupados com o índice de suicídio registrados neste começo de mês, as duas entidades trouxeram para o debate, o psiquiatra Gilberto Giovanetti, que, por 20 minutos, relatou que a maior causa que leva um cidadão a cometer algo contra sua própria vida é a depressão. “O suicídio é uma expressão trágica de uma pessoa que está deprimida e que não procurou ajuda a tempo, na maioria dos casos. No mundo, a cada quatro segundos, uma pessoa comete suicídio”, detalha o psiquiatra e alerta que a maioria está na faixa etária de 15 a 34 anos.

 

Para acabar com estes números, Gilberto conta que os amigos e familiares devem prestar atenção aos sinais que são anunciados por quem está depressivo. “Quem pensa em tirar a própria vida dá sinais. Por exemplo, ele deixa um recado, uma carta ou fala de alguma forma de seu desejo; tenta ficar sozinho; planeja tudo para que depois de sua morte as pessoas tenham acesso ao seu dinheiro, entre outros”, destaca o psiquiatra e comenta que a cultura germânica é quem mais sofre, pois tem dificuldades de contar o que sente.

 

A segunda profissional a explanar um pouco mais sobre o assunto foi a psicóloga Denise Boëchat Goede, de Pomerode, município que apresenta o maior índice de suicídios em Santa Catarina, e que já foi considerada a capital nacional da doença. Para ela, desde a infância as crianças devem aprender a enfrentar as dificuldades da vida.

 

“Precisamos construir uma rede de apoio, que traga uma resistência emocional desde quando somos pequenos e para tudo o que vamos enfrentar na vida. Não somos seres perfeitos e não temos que ser, diante do que a sociedade impõe. A ansiedade atualmente é nosso maior mal, seguido da depressão que ainda é a doença campeã. Para ter uma vida melhor, precisamos sim realizar nossos compromissos, mas também relaxar”, detalha Denise.

 

Logo em seguida, o engenheiro agrônomo e ambientalista Luiz Jacques Lüderitz Saldanha mostrou à plateia a relação dos agrotóxicos com os índices de suicídio. “O mundo nos cobra por tudo, ou seja, vivemos numa pressão social para que sejamos perfeitos em tudo, mas não é bem assim. Num sistema capitalista, as indústrias querem o faturamento a qualquer preço e esquecem muitas vezes o lado humano. É onde entram os agrotóxicos, que tanto mal fazem para a saúde”, destaca Luiz.

 

Para mostrar a arte de ser feliz e ir em busca dos sonhos, Ana Lucia Fernandez, formada em administração com especialização em psicologia transpessoal, mostrou à plateia que ser feliz é uma arte. “Não precisamos levar a vida tão a sério e precisamos evitar que os maus pensamentos nos invadam. Claro que ficamos tristes e choramos, mas isso não pode ser por muito tempo”, ressalta Ana.

 

Pontos que podem fazer diferença ao ser humano

Em busca questões que possam levar a sociedade a um bem maior, o psiquiatra Gilberto Giovanetti comenta que os laços sociais são o principal caminho. “Esta ligação com os amigos, igreja e outros grupos são muito importantes para manter a alegria de viver. Sem contar que posso adiantar que depressão tem cura, se o indivíduo procurar tratamento correto”, define o especialista e completa que todos devem procurar atividades que tragam felicidade e prazer.

PLATEIA, com exercício, foi convidada a superar os seus limites

Já Denise trouxe uma novidade para Braço do Norte, que pode ampliar a questão da saúde. Para ela o aprendizado sobre a vida deve iniciar na infância. “Na Austrália é desenvolvido um programa chamado Construindo Resiliência, ou seja, as crianças aprendem a lidar com as dificuldades que vão enfrentar no decorrer da vida. Assim, quando forem adultos, serão menos frustrados e estarão dispostos a saltar os obstáculos”, argumenta a psicóloga.

 

Além disso, Denise comentou um fato bem corriqueiro do ser humano. “Muitas vezes involuntariamente temos pensamentos que não são bons e quando menos esperamos, mesmo que não desejemos, eles estão de volta. Quando isso acontecer use a seguinte técnica: diga pare, quantas vezes forem necessárias. Você é mais forte que os pensamentos ruins e pode ir além”, sintetiza a especialista.

 

“Precisamos honrar a vida que ganhamos e tenho a certeza de que Braço do Norte confia que todos têm o direito de viver e viver bem. Precisamos ouvir mais nosso próximo, tirar um tempo para uma conversa e prestar um pouco mais  atenção no que está do meu lado e a mim mesmo. Na terapia comunitária, todos ouvem a todos e isso traz uma sensação de alívio. Procure viver melhor”, enfatiza Luiz Jacques.

 

Com um método bem simples, Ana propôs que a plateia se colocasse de pé. Sem mexer os quadris, a especialista pediu que todos esticassem seu braço, movimentasse-o para o lado e o acompanhasse com os olhos. Em seguida, de olhos fechados, ela solicitou a todos que fizessem o mesmo movimento só que mentalmente.

 

“Agora com os olhos abertos faça mais uma vez o movimento e tente chegar ao local onde seu pensamento levou seu braço. Observem que todos conseguiram ir além do que da primeira vez. Isso serve para vida. Todos nós podemos ir além do que a vida nos impõe, se desejarmos e acreditarmos um pouco mais em nós mesmos”, avalia Ana e acrescenta que precisamos deixar o destino agir e parar de querer controlar tudo.

 

Plateia tira dúvidas com especialistas

Com o espaço aberto para perguntas, os mediados do Simpósio de Saúde, padre Lenoir Steiner Becker e o psicólogo e colunista da Folha, Robson Sombrio, socializam os questionamentos com os especialistas. No debate, foram questionados a relação dos agrotóxicos com o suicídio, como identificar e ajudar uma pessoa que está deprimida entre outros.

PERGUNTAS foram feitas aos mediadores do evento e especialistas responderam aos participantes do Simpósio

Alunos da Escola de educação Básica Dom Joaquim, também se fizeram presentes no Simpósio. “Acho muito interessante este tipo de debate, que é pertinente para o momento que vive Braço do Norte. Tudo o que escutamos aqui será levado para sala de aula. Isso contribui para a população ter um sentido a mais para viver”, afirma a professora Maria Helena Eing Wernke.

 

“Precisamos estar preparadas para as perguntas dos nossos jovens sobre este assunto. Além disso, é necessário saber como é a depressão e como ajudar a quem está com esta doença”, comenta a professora Maria Leonor Della Giustina.

 

Preocupados com o futuro dos filhos e a sociedade em geral, o casal Wilson Heidemann e Vanir Philippi Heidemann, deixaram sua casa para ouvir os especialistas. “Quanto mais informações a sociedade tiver, mais podemos reconhecer e ajudar pessoas que estejam nesta situação. Vejo como uma ótima iniciativa”, afirma Wilson.

 

De acordo com o diretor da Folha e organizador de evento, Fernando Freitas, o Simpósio de Saúde serve como um incentivo para a sociedade. “Sem dúvida este debate foi muito importante. Foi a oportunidade que podemos oferecer para a população esclarecer as dúvidas sobre o suicídio e como viver ainda melhor. Com o Simpósio ensinamos a pescar, agora cabe a cada um pegar a sua vara e buscar seus objetivos”, destaca Fernando.
“A população mostrou que está preocupada e interessada no assunto, diante da boa participação do público. Se com este Simpósio conseguimos salvar uma vida, ele cumpriu a sua missão”, completa o organizador.

 

Para a secretária de Saúde de Braço do Norte, Lucia Terezinha Volpato Giordani, a ideia para o Simpósio foi uma ‘luz no fim do túnel’. “Depois dos acontecimentos que passamos em Braço do Norte, com os casos de suicídio, já não sabia mais o que fazer. Quando o Fernando me ligou propondo o Simpósio, voltei a ter esperança. Todas as propostas para o Bem-Viver apresentadas durante o encontro são válidas e vamos sentar para analisar o que pode ser feito aqui no município para auxiliar pessoas a viverem melhor”, enfatiza Zinha.

 

Os profissionais

Denise Boëchat Goede é formada em psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina, com especialização em Teoria Relacional Sistêmica (Terapia de Casais e Família). Entre as suas especializações, estudou a cura de doenças físicas e psicossomáticas por quatro anos nos Estados Unidos. Denise atualmente trabalha em Pomerode.
Contato: rgoede@terra.com.br

Luiz Jacques Lüderitz Saldanha é graduado em Ciências Jurídicas e Sociais e em Engenharia Agronômica, ambas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).Ele apresentou a relação do agrotóxico e outras causas, como cultura, no índice elevado de suicídios no Rio Grande do Sul.
Contato: www.nossofuturoroubado.com.br

Gilberto Giovanetti é graduado pela Universidade Estadual de Londrina e pós-graduado em psiquiatria pelo Instituto Abuchaim de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Com título de psiquiatra reconhecido e membro da  Sociedade Brasileira de Psiquiatria, Gilberto é especializado em dependência química pelo Grea-USP, em São Paulo e médico oficial da reserva do Exército Brasileiro.
Contato pelo facebook: gilbertogiovanetti

Ana Lucia Fernandez é formada em administração pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e possui também formação na área da psicologia transpessoal. É terapeuta, professora, capacitadora e gestora nas áreas de cultura e inovação.
Contato: www.analuciafz.wordpress.com


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